Igreja Família Nuvem

em plantação.

Con­fis­são de Fé

Aquilo que cremos e confessamos juntos, sempre debaixo da autoridade das Escrituras: os credos da Igreja, os fundamentos básicos da fé e as bases da nossa fé em 20 artigos.

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Preâmbulo

A Igreja Família Nuvem reconhece as Sagradas Escrituras como a autoridade suprema e final para a fé, a doutrina e a vida da Igreja.

Esta Confissão de Fé não substitui as Escrituras, nem pretende acrescentar algo à Palavra de Deus. Ela é uma expressão pública e organizada daquilo que a Igreja Família Nuvem entende que as Escrituras ensinam e, portanto, daquilo que confessamos e buscamos viver como igreja.

A Confissão tem como propósito preservar a unidade da fé, oferecer clareza doutrinária, orientar a vida da Igreja e estabelecer publicamente as convicções que compartilhamos. Ela deve ser lida e compreendida sempre debaixo da autoridade das Escrituras, às quais toda tradição, credo, confissão e ensino da Igreja permanecem submetidos.

Nossa fé está fundamentada na revelação de Deus nas Escrituras e reconhece a continuidade da fé cristã histórica expressa nos credos da Igreja, especialmente no Credo dos Apóstolos e no Credo Niceno-Constan­tino­politano.

Assim, confessamos juntos aquilo que cremos, para a glória de Deus, a fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, a edificação da Igreja e o cumprimento de sua missão no mundo.

Credo dos Apóstolos

Creio em Deus Pai, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra.

Creio em Jesus Cristo, seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; ressuscitou ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, de onde há de vir para julgar os vivos e os mortos.

Creio no Espírito Santo; na santa Igreja católica (universal); na comunhão dos santos; na remissão dos pecados; na ressurreição do corpo; e na vida eterna.

Amém.

Credo Niceno-Constan­tino­politano

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis.

Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por Ele todas as coisas foram feitas.

E por nós, homens, e para nossa salvação, desceu dos céus; e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.

Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras; e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai.

De novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos, e o seu reino não terá fim.

Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; Ele falou pelos profetas.

Creio na Igreja una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir.

Amém.

Nossa confissão

Somos uma igreja cristã evangélica que adora o Deus Trino e crê na justificação pela fé em Jesus Cristo. Por isso, cremos no sacerdócio de todos os santos e na urgência do cumprimento da Grande Comissão. Somos carismáticos-reformados, pré-milenistas, pós-supercessionistas; acreditamos no complementarismo (estreito) e na prática de um presbitério plural.

Fundamentos básicos da fé

A importância dos fundamentos básicos da fé: Eles são compartilhados em toda a Igreja universal, sendo atemporais, extra-locais e absolutos.

  1. Há um Deus, existindo eternamente na Trindade Pai, Filho e Espírito Santo (Rm 8; Ef 1:13-⁠14, Tg 2:19);
  2. Por amor, Deus enviou Seu filho Jesus Cristo para morrer por nossos pecados e ressuscitar dos mortos, para resgatar pecadores e redimir a criação (1Co 15:1-⁠8, Cl 1:12-⁠20, Jo 20:30-⁠31);
  3. Aqueles que confiam em Cristo devem se arrepender do Pecado, confessar sua fé e serem batizados (Rm 10:9; At 2:38);
  4. A Igreja é o corpo de Cristo na terra, com o poder do Espírito Santo para continuar a tarefa de alcançar os perdidos, discipular os salvos e refletir o reino em misericórdia, unidade e amor (Ef 4:1-⁠16; Jo 17:20);
  5. A salvação é um presente gratuito de Deus. Tornado possível pela morte e ressurreição de Jesus e recebido pela fé (Rm 3:23, 6:23; Jo 3:16);
  6. A Bíblia é a palavra inspirada de Deus e a autoridade final na vida e na doutrina (2Tm 3:16, Jo 17:17, 2Pe 1:21);
  7. Quando morrermos, seremos separados de Deus pelo pecado ou unidos a Ele eternamente pela fé em Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador (Jo 3:16; Jo 14:1-⁠3; Ap 20:10,15);
  8. Cristo voltará um dia, restaurará a criação e reinará para sempre (1Ts 4:13-⁠18).

As bases da nossa fé

A Igreja Família Nuvem confessa a fé cristã histórica e reconhece as Escrituras Sagradas como autoridade suprema para a fé e para a vida da Igreja.

Cremos no Deus Trino, Pai, Filho e Espírito Santo, e na salvação pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo.

Cremos na centralidade de Cristo, na atuação presente do Espírito Santo e na continuidade dos dons espirituais, sempre submetidos às Escrituras e exercidos em amor, maturidade, ordem e discernimento.

Cremos na Igreja como Corpo de Cristo e Família de Deus, no sacerdócio de todos os santos, na importância da igreja local, na membresia consciente e pactual, na liderança de um presbitério plural e no serviço de todos os membros para a edificação do Corpo.

Cremos que a Igreja foi enviada para anunciar o Evangelho, fazer discípulos, servir a cidade e cooperar com a plantação e fortalecimento de igrejas.

Cremos no retorno pessoal, visível e glorioso de Jesus Cristo, na ressurreição dos mortos, no juízo final e na consumação do Reino de Deus. Sustentamos uma compreensão pré-milenista histórica e uma visão não-substitucionista acerca de Israel e das promessas de Deus.

Os artigos a seguir apresentam e explicam essas convicções com maior clareza e profundidade.

Artigo 1 Deus Trino

Cremos em um só Deus, eternamente existente em três Pessoas distintas: Pai, Filho e Espírito Santo, um só Deus em essência, poder e glória (Dt 6.4; Mt 28.19; 2Co 13.13). Cremos que o Pai é Deus, que o Filho é Deus e que o Espírito Santo é Deus, sem que haja três deuses, mas um único Deus verdadeiro.

Cremos que Deus é eterno, soberano, santo, onipotente, onisciente e onipresente. Ele é o Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, e sustenta e governa todas as coisas segundo sua vontade e para a glória do seu nome (Gn 1.1; Sl 90.2; Is 46.9-⁠10; Cl 1.16-⁠17).

Cremos que as três Pessoas da Trindade são eternas e igualmente dignas de honra, adoração e glória, e que o Pai, o Filho e o Espírito Santo atuam em perfeita unidade na obra da criação, redenção e consumação de todas as coisas (Mt 28.19; 2Co 13.13; Ef 1.3-⁠14).

Artigo 2 Escritura Sagrada

Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus, inspirada pelo Espírito Santo e escrita por homens escolhidos por Deus, sendo verdadeira, confiável, inerrante e infalível em tudo aquilo que afirma (2Tm 3.16-⁠17; 2Pe 1.20-⁠21). Por meio das Escrituras, Deus se revela e comunica sua vontade ao seu povo.

Cremos que as Escrituras do Antigo e do Novo Testamento constituem a Palavra de Deus escrita, plenamente inspirada pelo Espírito Santo e suficiente para conduzir a Igreja em toda questão de fé, doutrina e prática cristã. Por isso, a Bíblia é a autoridade final e suprema para a vida do cristão e para a doutrina, o governo e a missão da Igreja (Sl 19.7-⁠11; Jo 17.17; 2Tm 3.16-⁠17).

Cremos que a autoridade das Escrituras não depende da aprovação da Igreja, da tradição ou da experiência humana, mas do próprio Deus, que é seu Autor. Os credos, confissões, tradições e ensinamentos da Igreja possuem autoridade apenas na medida em que permanecem submissos e fiéis ao ensino das Escrituras (Is 8.20; At 17.11).

Cremos que o Espírito Santo ilumina o entendimento dos crentes para que compreendam e apliquem corretamente a Palavra de Deus, sem que essa iluminação acrescente novas revelações com autoridade igual ou superior às Escrituras (Jo 14.26; 16.13; 1Co 2.12-⁠14).

Cremos que o cânon das Escrituras é formado por 66 livros: 39 do Antigo Testamento e 27 do Novo Testamento, que constituem a única regra infalível e suficiente de fé e prática da Igreja.

Artigo 3 Criação e providência

Cremos que Deus criou todas as coisas, visíveis e invisíveis, do nada, pelo poder de sua Palavra, segundo o conselho da sua vontade e para a glória do seu nome (Gn 1.1; Sl 33.6-⁠9; Jo 1.3; Cl 1.16-⁠17; Hb 11.3).

Cremos que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, homem e mulher, conferindo-lhes dignidade, valor e responsabilidade diante do Criador (Gn 1.26-⁠28). Toda a criação pertence a Deus e manifesta a sua glória, e o ser humano foi chamado a exercer sobre ela um governo responsável, como mordomo de Deus (Sl 24.1; Gn 2.15).

Cremos que Deus não apenas criou todas as coisas, mas também as sustenta, governa e conduz soberanamente segundo sua providência, sem que nada aconteça fora do seu conhecimento e propósito (Sl 115.3; Mt 10.29-⁠31; Ef 1.11; Cl 1.17).

Cremos que a soberania de Deus não elimina a responsabilidade moral das criaturas. Deus permanece santo e justo em tudo o que faz, enquanto os seres humanos continuam responsáveis por suas escolhas e ações diante dele (Dt 32.4; At 2.23; Tg 1.13-⁠15).

Cremos que a criação, embora originalmente boa, foi profundamente afetada pela entrada do pecado no mundo e aguarda a plena restauração que será consumada por Deus em Cristo (Gn 1.31; Rm 8.19-⁠23; Ap 21.1-⁠5).

Artigo 4 Humanidade e queda

Cremos que Deus criou o ser humano à sua imagem e semelhança, homem e mulher, dotando-o de dignidade, racionalidade, responsabilidade moral e capacidade de se relacionar com o seu Criador (Gn 1.26-⁠28; Gn 2.7,18-⁠25). O ser humano foi criado bom e reto, chamado a conhecer, amar, adorar e obedecer a Deus, vivendo para a sua glória (Gn 1.31; Ec 7.29).

Cremos que nossos primeiros pais, Adão e Eva, foram colocados no jardim do Éden sob a ordem de Deus e, voluntariamente, desobedeceram ao seu mandamento, dando ouvidos à tentação e buscando autonomia em relação ao Criador (Gn 2.16-⁠17; Gn 3.1-⁠7). Por meio da queda de Adão, o pecado entrou no mundo, trazendo culpa, corrupção e morte para toda a humanidade (Rm 5.12-⁠19; 1Co 15.21-⁠22).

Cremos que, em Adão, toda a humanidade caiu e herdou uma natureza corrompida pelo pecado. Todos os seres humanos nascem separados de Deus, inclinados ao pecado e incapazes, por suas próprias forças, de reconciliar-se com Deus ou produzir a justiça necessária para sua salvação (Sl 51.5; Rm 3.10-⁠12,23; Ef 2.1-⁠3).

Cremos na depravação total da humanidade: o pecado afetou todas as dimensões da pessoa humana — mente, vontade, emoções, desejos e relacionamentos — de modo que, sem a graça de Deus, ninguém busca a Deus de maneira salvadora nem pode voltar-se para Ele por seus próprios méritos (Rm 8.7-⁠8; 1Co 2.14; Ef 2.1-⁠5). A depravação total não significa que todo ser humano seja tão mau quanto poderia ser, mas que o pecado alcançou integralmente a condição humana e que a salvação não pode ser produzida pelo esforço ou mérito humano.

Cremos que, apesar da queda, o ser humano não deixou de carregar a imagem de Deus. Por isso, toda vida humana possui dignidade e valor diante de Deus, e cada pessoa deve ser tratada com justiça, amor e respeito (Gn 9.6; Tg 3.9).

Cremos que o pecado trouxe consequências não apenas para o indivíduo, mas também para os relacionamentos humanos e para toda a criação, que passou a experimentar corrupção, sofrimento e morte (Gn 3.16-⁠19; Rm 8.20-⁠22). Por isso, toda a humanidade necessita da graça, do perdão e da redenção que Deus oferece somente por meio de Jesus Cristo (Rm 3.23-⁠24; Ef 2.8-⁠9).

Cremos que a condição humana após a queda torna indispensável a obra sobrenatural da graça de Deus na salvação. Somente Deus pode vivificar aqueles que estão mortos em seus delitos e pecados e conduzi-los à fé em Jesus Cristo (Jo 6.44; Ef 2.4-⁠5; Tt 3.4-⁠7).

Artigo 5 Jesus Cristo

Cremos em Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus, plenamente Deus e plenamente homem, uma só Pessoa com duas naturezas, divina e humana. Cremos que Ele é o Messias prometido nas Escrituras, o Verbo que se fez carne, concebido pelo Espírito Santo e nascido da virgem Maria (Is 9.6; Mt 1.20-⁠23; Jo 1.1-⁠14; Fp 2.6-⁠7).

Cremos que Jesus viveu uma vida plenamente santa e sem pecado, cumpriu perfeitamente a vontade do Pai e revelou em sua pessoa o caráter de Deus. Cremos em seus ensinamentos, milagres, morte e ressurreição, reconhecendo que seus sinais testemunham sua identidade e autoridade como Filho de Deus (Jo 1.14; 14.9; Hb 4.15; Jo 20.30-⁠31).

Cremos que Jesus Cristo morreu voluntariamente na cruz pelos nossos pecados, oferecendo-se como sacrifício perfeito e suficiente, levando sobre si a culpa e a condenação que pertenciam aos pecadores, para que, pela fé, fôssemos reconciliados com Deus (Is 53.4-⁠6; Mc 10.45; Rm 3.23-⁠26; 2Co 5.21; 1Pe 2.24).

Cremos que Jesus ressuscitou corporalmente dos mortos ao terceiro dia, venceu o pecado e a morte e apareceu a muitas testemunhas. Cremos que ascendeu corporalmente aos céus, está assentado à direita do Pai, intercede por seu povo e voltará pessoal, visível e gloriosamente para consumar seu Reino, julgar os vivos e os mortos e estabelecer plenamente todas as coisas (1Co 15.3-⁠8; At 1.9-⁠11; Hb 7.25; Ap 19.11-⁠16).

Artigo 6 Espírito Santo

Cremos no Espírito Santo, a terceira Pessoa da Trindade, plenamente Deus, eterno e pessoal, que procede do Pai e do Filho e, juntamente com o Pai e o Filho, recebe a mesma honra, adoração e glória (Mt 28.19; Jo 15.26; 16.7; 2Co 13.13).

Cremos que o Espírito Santo atua na criação, na revelação e na obra da salvação. Ele convence o mundo do pecado, regenera e habita nos que creem em Cristo, selando-os como propriedade de Deus e conduzindo-os à santificação e à maturidade espiritual (Gn 1.2; Jo 16.8-⁠11; Jo 3.5-⁠8; Rm 8.9-⁠14; Ef 1.13-⁠14).

Cremos que o Espírito Santo capacita a Igreja para testemunhar de Cristo e cumprir sua missão. Ele distribui dons espirituais aos crentes segundo sua vontade, para a edificação do Corpo de Cristo e para o serviço e testemunho do Evangelho (At 1.8; 1Co 12.4-⁠11; Ef 4.11-⁠13).

Cremos na continuidade e na contemporaneidade dos dons espirituais, incluindo os dons de profecia, cura, línguas e interpretação, conforme a soberana vontade do Espírito Santo. Cremos que esses dons devem ser exercidos de maneira bíblica, com amor, ordem e discernimento, tendo como propósito a edificação da Igreja e a exaltação de Jesus Cristo (1Co 12.7-⁠11; 13.1-⁠2; 14.1-⁠5,26-⁠33; 1Ts 5.19-⁠21).

Artigo 7 Obra da salvação

Cremos que a salvação é obra soberana da graça de Deus, realizada por meio de Jesus Cristo e recebida pela fé, e não por mérito ou obras humanas (Jo 3.16; Ef 2.8-⁠9; Tt 3.4-⁠7). Cremos que Deus, segundo o propósito de sua vontade, nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele (Ef 1.3-⁠5).

Cremos que, por meio da morte expiatória e da ressurreição de Jesus Cristo, Deus perdoa nossos pecados e nos reconcilia consigo. Pela fé em Cristo, somos justificados e declarados justos diante de Deus, unicamente por causa da justiça de Cristo, recebendo o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus (Rm 3.21-⁠26; 5.1; 2Co 5.21).

Cremos que aqueles que foram unidos a Cristo pela fé são regenerados pelo Espírito Santo e chamados a uma vida de santificação e obediência. A salvação produz frutos visíveis de uma vida transformada, embora a santificação seja um processo contínuo que será consumado na glorificação (Rm 6.22; 8.29-⁠30; Gl 5.22-⁠25; Fp 1.6).

Cremos que o Espírito Santo sela aqueles que creem em Cristo como propriedade de Deus e é a garantia da herança que receberemos plenamente na consumação da redenção (Ef 1.13-⁠14; 4.30). Cremos na esperança da ressurreição e da glorificação dos santos, quando a obra da salvação será plenamente consumada na presença de Deus (Rm 8.23; 1Co 15.42-⁠49; Fp 3.20-⁠21).

Artigo 8 A Igreja

Cremos que a Igreja é o Corpo de Cristo, a Família de Deus e o templo do Espírito Santo, formada por todos aqueles que, pela graça, foram reconciliados com Deus por meio da fé em Jesus Cristo (Ef 2.19-⁠22; 1Co 12.12-⁠13; 1Pe 2.9-⁠10). A Igreja é uma só, santa, universal e apostólica, composta por pessoas de todas as nações, povos e línguas, unidas em Cristo pela ação do Espírito Santo e edificadas sobre o ensino dos apóstolos (Ef 2.20; 4.4-⁠6; Ap 7.9).

Cremos que a Igreja existe para glorificar a Deus, proclamar o Evangelho, fazer discípulos, ensinar a Palavra, cultivar a comunhão dos santos e testemunhar o Reino de Deus por meio do amor, da justiça e da misericórdia (Mt 28.18-⁠20; At 2.42-⁠47; Ef 4.11-⁠16).

Cremos que a igreja local é uma expressão visível da Igreja de Cristo em determinado lugar, reunindo os discípulos para a adoração, oração, ensino das Escrituras, celebração das ordenanças, comunhão, serviço e missão (At 2.42; 14.23; 20.7; 1Co 11.18-⁠26).

Cremos que Cristo é o cabeça da Igreja e que todo governo, liderança e ministério devem permanecer submetidos à sua Palavra e à direção do Espírito Santo (Ef 1.22-⁠23; Cl 1.18). Cada membro do Corpo de Cristo recebeu dons e responsabilidades para servir aos demais, contribuindo para a edificação, maturidade, unidade e missão da Igreja (Rm 12.4-⁠8; 1Co 12.4-⁠27; Ef 4.15-⁠16).

Artigo 9 Sacerdócio de todos os santos

Cremos que todos os que pertencem a Cristo são sacerdotes diante de Deus e foram chamados para servi-lo e testemunhar de sua graça no mundo (1Pe 2.5,9-⁠10). Em Cristo, todos os crentes têm livre acesso ao Pai, não por seus próprios méritos, mas por meio de Jesus Cristo, nosso único Mediador e Sumo Sacerdote (Jo 14.6; Hb 4.14-⁠16; 1Tm 2.5).

Cremos que todo cristão recebeu dons, capacidades e responsabilidades para servir a Deus e edificar o Corpo de Cristo. Nenhum membro é dispensável, e todos são chamados a participar da vida, da missão e do serviço da Igreja, segundo a graça e os dons que receberam do Espírito Santo (Rm 12.3-⁠8; 1Co 12.4-⁠27; 1Pe 4.10-⁠11).

Cremos que o sacerdócio de todos os santos não elimina a necessidade de liderança, pastores, presbíteros, diáconos e outros ministérios estabelecidos por Deus para o cuidado e a edificação da Igreja (Ef 4.11-⁠12; 1Tm 3.1-⁠13). Antes, esses ministérios existem para equipar todo o povo de Deus para a obra do ministério, de modo que cada membro cumpra sua vocação no Corpo de Cristo.

Cremos, portanto, que a Igreja deve ser uma comunidade na qual todos os seus membros são encorajados a orar, evangelizar, discipular, servir, exercer seus dons e cuidar uns dos outros, sempre debaixo da autoridade das Escrituras, em submissão a Cristo e com amor pelo Corpo (Mt 28.19-⁠20; Gl 6.2; Ef 4.15-⁠16).

Artigo 10 Membresia

Cremos que aqueles que professam fé pessoal em Jesus Cristo, demonstram arrependimento e foram batizados de acordo com o ensino de Cristo podem ser recebidos como membros da igreja local, assumindo publicamente o compromisso de viver em comunhão com o Corpo de Cristo (Mt 28.19-⁠20; At 2.38-⁠42).

Cremos que a membresia envolve mais do que a participação ocasional nas reuniões da igreja. O membro é chamado a perseverar na comunhão, na oração, no ensino das Escrituras, na celebração das ordenanças, no serviço, na missão e no cuidado mútuo, submetendo sua vida aos princípios da Palavra de Deus (At 2.42-⁠47; Hb 10.24-⁠25; Gl 6.1-⁠2).

Cremos que cada membro deve participar ativamente da edificação da comunidade, servindo segundo seus dons, contribuindo generosamente para a missão da Igreja e submetendo-se, com humildade e amor, à liderança estabelecida por Deus (Rm 12.4-⁠8; 1Co 12.7; 2Co 9.6-⁠8; Hb 13.17).

Cremos que a membresia pressupõe um compromisso mútuo entre a igreja e seus membros, marcado pela fidelidade a Cristo, pela unidade, pelo amor, pela responsabilidade e pela disposição de caminhar juntos em discipulado e santidade. Os procedimentos específicos para admissão, acompanhamento e desligamento de membros serão estabelecidos em documento próprio da Igreja.

Leia o Pacto de Membresia

Artigo 11 Continuidade dos dons espirituais

Cremos que o Espírito Santo distribui dons espirituais aos membros do Corpo de Cristo segundo a sua soberana vontade, capacitando cada crente para o serviço, a edificação da Igreja e o testemunho do Evangelho (Rm 12.6-⁠8; 1Co 12.4-⁠11; 1Pe 4.10-⁠11).

Cremos na continuidade e na contemporaneidade dos dons espirituais apresentados nas Escrituras, incluindo profecia, línguas, interpretação de línguas, curas, discernimento de espíritos e demais manifestações da graça de Deus (1Co 12.7-⁠10; 14.1-⁠5). Cremos que o Espírito Santo continua soberanamente concedendo esses dons à Igreja para a edificação do Corpo de Cristo e para a proclamação do Evangelho.

Cremos que os dons espirituais devem ser exercidos de acordo com as Escrituras, tendo o amor como fundamento, visando à edificação da Igreja e submetendo toda manifestação ao discernimento da comunidade cristã (1Co 13.1-⁠2; 14.26-⁠33; 1Ts 5.19-⁠21).

Cremos que nenhum dom ou manifestação espiritual ocupa o lugar da autoridade das Escrituras, nem constitui motivo de superioridade entre os membros. Todos os dons procedem do mesmo Espírito e devem apontar para a glória de Deus e para a exaltação de Jesus Cristo (1Co 12.11-⁠12; 14.12; Jo 16.13-⁠14).

Artigo 12 Batismo e Ceia do Senhor

Cremos que o Batismo e a Ceia do Senhor são ordenanças instituídas por Jesus Cristo e entregues à sua Igreja. Por meio delas, a Igreja proclama o Evangelho, testemunha a obra de Cristo e participa da comunhão de seu povo (Mt 28.19-⁠20; Lc 22.19-⁠20; 1Co 11.23-⁠26).

Cremos que o Batismo é um sinal público da fé e da união do crente com Cristo em sua morte e ressurreição. Deve ser administrado àqueles que professam fé em Jesus Cristo, como expressão de arrependimento e identificação pública com Ele (Rm 6.3-⁠4; At 2.38-⁠41; At 8.36-⁠38). O Batismo não salva por si mesmo, mas aponta para a realidade da nova vida recebida pela graça mediante a fé em Cristo.

Cremos que, na Ceia do Senhor, a Igreja proclama a morte de Cristo até que Ele venha. Ao participar do pão e do cálice, os crentes se lembram da obra redentora de Cristo e, pela fé e mediante a ação do Espírito Santo, desfrutam de verdadeira comunhão com Ele e com seu Corpo (1Co 10.16-⁠17; 11.23-⁠26). Cremos que Cristo está verdadeiramente presente com seu povo na Ceia, não de maneira corporal nos elementos, mas espiritualmente, pela ação do Espírito Santo.

Cremos que a Ceia deve ser celebrada com reverência, fé, discernimento e amor, examinando cada pessoa a si mesma e reconhecendo a santidade da comunhão do Corpo de Cristo (1Co 11.27-⁠29). A Ceia aponta tanto para a cruz e a ressurreição de Cristo quanto para a esperança de sua volta e da plena participação de seu povo no Reino de Deus (Mt 26.29; Ap 19.6-⁠9).

Artigo 13 Família e casamento

Cremos que Deus criou o ser humano como homem e mulher, à sua imagem e semelhança, e estabeleceu o casamento como uma aliança entre um homem e uma mulher, destinada à união, companheirismo, fidelidade e formação de uma família segundo o propósito de Deus (Gn 1.26-⁠28; 2.18-⁠24; Mt 19.4-⁠6).

Cremos que o casamento cristão deve refletir a relação entre Cristo e sua Igreja. O marido é chamado a amar sua esposa de maneira sacrificial, buscando seu bem e servindo-lhe como Cristo serviu à Igreja; a esposa é chamada a respeitar e cooperar com seu marido, exercendo sua vocação em submissão ao Senhor e em acordo com a ordem estabelecida nas Escrituras (Ef 5.21-⁠33; Cl 3.18-⁠19). Essas diferenças de responsabilidade não estabelecem diferença de dignidade, valor ou importância diante de Deus.

Cremos que Deus confiou aos pais a responsabilidade de criar e ensinar seus filhos nos caminhos do Senhor, conduzindo-os à fé, à sabedoria, à disciplina e ao conhecimento das Escrituras (Dt 6.4-⁠9; Pv 22.6; Ef 6.4). A família é chamada a ser uma comunidade de amor, serviço, discipulado e adoração a Deus.

Cremos que o casamento deve ser reconhecido publicamente e juridicamente conforme as autoridades constituídas, e que os discípulos de Cristo são chamados a honrar a aliança matrimonial, cultivando fidelidade, amor, perdão e perseverança (Rm 13.1-⁠7; Hb 13.4). Rejeitamos toda forma de violência, abuso, negligência ou desonra dentro da família, reconhecendo que todo relacionamento cristão deve refletir o caráter de Cristo.

Artigo 14 Visão missionária e Grande Comissão

Cremos que a Igreja existe para glorificar a Deus e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo a todas as pessoas, fazendo discípulos de todas as nações, conforme o mandamento de nosso Senhor (Mt 28.18-⁠20). Por isso, assumimos como responsabilidade da Igreja proclamar o Evangelho, chamar pessoas ao arrependimento e à fé em Cristo e ensiná-las a obedecer a tudo o que Jesus ordenou.

Cremos que a missão da Igreja acontece tanto em sua comunidade local quanto entre os povos, sendo chamada a testemunhar de Cristo até os confins da terra (At 1.8). Por isso, buscamos servir nossa cidade e outras regiões por meio da evangelização, do discipulado, da misericórdia, da justiça e do cuidado com os necessitados, demonstrando em palavras e ações o amor de Cristo (Mt 5.13-⁠16; Tg 1.27).

Cremos que Deus concede à Igreja líderes e ministros para equipar os santos para a obra do ministério e que a Igreja deve formar e enviar homens e mulheres maduros para o serviço do Evangelho (Ef 4.11-⁠12; 2Tm 2.2). Valorizamos a formação de discípulos e obreiros capazes de ensinar a outros e de participar da plantação e fortalecimento de novas comunidades cristãs.

Cremos que a missão pertence a Deus e que a Igreja participa dela no poder e na direção do Espírito Santo. Por isso, buscamos anunciar fielmente o Evangelho, plantar e fortalecer igrejas e fazer conhecido o nome de Jesus Cristo, para a glória de Deus (At 13.2-⁠4; Rm 15.18-⁠21).

Artigo 15 Escatologia

Cremos no retorno pessoal, visível, corporal e glorioso de Jesus Cristo. Ele voltará para reunir o seu povo, ressuscitar os mortos, julgar os vivos e os mortos e consumar seu Reino (Mt 24.29-⁠31; At 1.9-⁠11; 1Ts 4.13-⁠18; 2Tm 4.1).

Como pré-milenistas históricos, cremos que a volta de Cristo ocorrerá após a Grande Tribulação e será seguida pelo estabelecimento de seu Reino milenar sobre a terra, conforme a interpretação de Apocalipse 20.4-⁠6. Cremos que Cristo reinará com os seus santos e que, ao final desse período, ocorrerá a derrota definitiva de Satanás e o Juízo Final (Mt 24.29-⁠30; Ap 19.11-⁠21; 20.1-⁠15).

Cremos na ressurreição corporal de todos os mortos: os que pertencem a Cristo para a vida eterna e os que rejeitaram a Deus para o juízo eterno (Dn 12.2; Jo 5.28-⁠29; 1Co 15.20-⁠23; Ap 20.11-⁠15).

Cremos que o destino eterno de cada pessoa será manifesto no justo juízo de Deus, havendo vida eterna com Deus para os que estão em Cristo e condenação eterna para os que permanecem em seus pecados (Mt 25.46; Ap 21.7-⁠8).

Cremos que, na consumação final, Deus fará novas todas as coisas, estabelecendo novos céus e nova terra, onde habitará a justiça e onde Deus habitará para sempre com seu povo. Ali não haverá mais morte, luto, choro ou dor, e o Reino de Deus será plenamente consumado (Is 65.17; 2Pe 3.13; Ap 21.1-⁠5; 22.1-⁠5).

Artigo 16 Governo da Igreja

Cremos que Cristo é o cabeça da Igreja e que todo governo e liderança devem estar submetidos à autoridade das Sagradas Escrituras e à direção do Espírito Santo (Ef 1.22-⁠23; 5.23; Cl 1.18). Por isso, a Igreja deve ser conduzida com temor de Deus, maturidade, humildade, responsabilidade e fidelidade ao Evangelho, tendo como objetivo preservar a sã doutrina, promover a edificação dos santos e cumprir a missão recebida de Cristo.

Cremos no governo da Igreja por meio de um presbitério plural, formado por homens maduros na fé, reconhecidos pela Igreja e qualificados segundo os princípios apresentados nas Escrituras, especialmente em 1 Timóteo 3.1-⁠7 e Tito 1.5-⁠9. Os presbíteros são chamados a pastorear o rebanho de Deus, ensinar a Palavra, proteger a Igreja de falsos ensinos, exercer cuidado pastoral e conduzir a comunidade com justiça e amor (At 20.28; 1Pe 5.1-⁠4).

Reconhecemos a função de um pastor presidente, responsável por exercer liderança pastoral e presidir o presbitério, especialmente na coordenação da visão e das responsabilidades ministeriais da igreja local. Essa função não constitui uma autoridade independente ou superior ao presbitério, mas é exercida em submissão à Palavra de Deus, em prestação de contas aos demais presbíteros e em cooperação com eles, preservando o caráter plural e colegiado do governo da Igreja (At 14.23; 15.6,22).

Cremos que os líderes da Igreja devem servir, e não dominar, o povo de Deus, seguindo o exemplo de Cristo, o Supremo Pastor (Mc 10.42-⁠45; 1Pe 5.2-⁠3). A liderança deve ser marcada por caráter, doutrina, oração, serviço, amor pelo rebanho e compromisso com a missão de Deus. O presbitério, portanto, tem a responsabilidade de guardar a fé recebida, cuidar das pessoas, exercer a disciplina bíblica quando necessária e conduzir a Igreja na fidelidade a Cristo e à sua Palavra.

Artigo 17 Diaconia

Cremos que Cristo chama sua Igreja ao serviço e que a diaconia é uma expressão desse chamado. Reconhecemos o ministério dos diáconos como uma função de serviço à Igreja, exercida por pessoas maduras na fé, de bom testemunho e comprometidas com o Evangelho, segundo os princípios apresentados nas Escrituras (At 6.1-⁠6; 1Tm 3.8-⁠13).

Cremos que os diáconos são chamados a cooperar com os presbíteros no cuidado da comunidade, especialmente nas necessidades práticas, na administração dos recursos, no exercício da misericórdia e no serviço aos irmãos, para que a Igreja seja edificada e ninguém seja negligenciado (At 6.1-⁠4). A diaconia não é mero exercício administrativo, mas um ministério espiritual de amor, serviço e cuidado.

Reconhecemos que os diáconos devem servir com fidelidade, humildade, sabedoria e temor de Deus, colocando seus dons e capacidades a serviço da missão da Igreja. Seu ministério deve contribuir para a unidade da comunidade, para o cuidado dos necessitados e para que os presbíteros possam dedicar-se especialmente à oração, ao ministério da Palavra e ao pastoreio do rebanho (At 6.2-⁠4).

Cremos, portanto, que a diaconia é parte importante da vida da Igreja e que aqueles que a exercem devem fazê-lo como servos de Cristo, buscando a glória de Deus e o bem do seu povo. O reconhecimento e a ordenação dos diáconos devem considerar seu caráter, testemunho, maturidade espiritual e fidelidade às Escrituras (1Tm 3.8-⁠13).

Artigo 18 Comple­menta­rismo

Cremos que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, conferindo a ambos igual dignidade, valor e importância diante de Deus (Gn 1.26-⁠27; Gl 3.28). Homens e mulheres são igualmente alcançados pela graça de Deus, recebem o Espírito Santo e são chamados a servir a Cristo e participar da missão da Igreja segundo os dons e vocações que receberam (At 2.17-⁠18; 1Co 12.4-⁠7).

Cremos, porém, que Deus estabeleceu distinções e responsabilidades complementares entre homens e mulheres, especialmente no casamento e no governo da Igreja. No casamento, o marido é chamado a exercer liderança sacrificial, amorosa e responsável sobre sua família, à semelhança de Cristo em relação à Igreja, enquanto a esposa é chamada a cooperar com seu marido, respeitá-lo e exercer sua vocação com sabedoria e dignidade, ambos submetidos ao senhorio de Cristo e chamados à mútua entrega e serviço (Ef 5.21-⁠33).

No governo da Igreja, cremos que o ofício de presbítero e a responsabilidade de autoridade pastoral sobre a congregação são destinados a homens qualificados pelas Escrituras (1Tm 2.11-⁠15; 3.1-⁠7; Tt 1.5-⁠9). Essa distinção não implica superioridade espiritual ou maior valor dos homens, mas corresponde à ordem que entendemos ter sido estabelecida por Deus para o cuidado e governo de sua Igreja.

Cremos que as mulheres possuem amplo e significativo espaço para servir no corpo de Cristo, podendo exercer seus dons no ensino, discipulado, evangelização, aconselhamento, oração, misericórdia, liderança de ministérios e outras formas de serviço compatíveis com as Escrituras (At 18.24-⁠26; Rm 16.1-⁠7; Tt 2.3-⁠5). Reconhecemos, assim, que homens e mulheres são indispensáveis à missão da Igreja e devem servir mutuamente para a edificação do corpo de Cristo, cada um segundo sua vocação e seus dons (Rm 12.3-⁠8; 1Co 12.12-⁠27).

Artigo 19 Disciplina da Igreja

Cremos que a disciplina da Igreja é uma expressão do amor de Deus e tem como objetivo a restauração do irmão, a preservação da santidade da Igreja e a proteção do testemunho do Evangelho (Hb 12.5-⁠11; Gl 6.1). A disciplina não deve ser exercida como instrumento de vingança ou punição, mas com humildade, temor de Deus, amor e desejo sincero de conduzir o pecador ao arrependimento e à restauração.

Cremos que, diante de um pecado cometido contra um irmão, deve-se buscar primeiramente a reconciliação de maneira particular. Quando necessário, o processo deve avançar com a participação de uma ou duas testemunhas e, persistindo a falta de arrependimento, a questão poderá ser levada à Igreja, conforme o ensino de Jesus em Mateus 18.15-⁠17. Todo procedimento deve ser conduzido com prudência, verdade, amor e respeito, evitando exposição desnecessária e julgamentos precipitados.

Cremos que, diante de pecados graves, persistentes e não acompanhados de arrependimento, a Igreja pode exercer disciplina mais severa, inclusive afastando o indivíduo da comunhão da Igreja, conforme o ensino das Escrituras (1Co 5.1-⁠13; 2Ts 3.14-⁠15). Tal medida não deve ser tomada de forma precipitada, mas após o devido acompanhamento e diante da persistência do pecado e da rejeição ao chamado ao arrependimento.

Cremos que a finalidade última da disciplina é sempre a restauração. Quando houver arrependimento genuíno, a Igreja deve acolher, perdoar, consolar e restaurar o irmão à comunhão, demonstrando a graça de Cristo (2Co 2.6-⁠8; Gl 6.1-⁠2). A restauração à comunhão, porém, não significa necessariamente o retorno imediato a funções de liderança ou ministérios, devendo cada caso ser acompanhado com sabedoria, discernimento pastoral e consideração pelo testemunho da Igreja.

Artigo 20 Israel e as promessas de Deus

Cremos que Deus é fiel às suas alianças e às suas promessas e que seus propósitos para Israel não foram anulados pela formação da Igreja. A Igreja, formada por judeus e gentios que creem em Cristo, não deve ser entendida como uma substituição de Israel, mas como o povo de Deus reunido em torno do Messias, no qual judeus e gentios são reconciliados e feitos um só povo, sem que isso implique a anulação dos propósitos de Deus para Israel (Ef 2.11-⁠22; Rm 9.6-⁠8; 11.1-⁠2,28-⁠29; Gl 3.28-⁠29).

Cremos que as promessas de Deus a Israel devem ser compreendidas à luz de toda a revelação das Escrituras, sem desprezar sua dimensão histórica e futura. O Novo Testamento não apresenta Deus como tendo abandonado o povo judeu, mas afirma a permanência de seus dons e de seu chamado e aponta para a fidelidade de Deus às suas promessas (Rm 11.1-⁠2,28-⁠29).

Cremos que Romanos 11 ensina que Deus ainda possui propósitos para Israel segundo a carne e que haverá um agir futuro da graça de Deus em relação ao povo judeu. A expectativa de que muitos judeus reconheçam Jesus como o Messias faz parte da esperança apresentada por Paulo, que fala da salvação de Israel e da manifestação da misericórdia de Deus (Rm 11.12,25-⁠27).

Cremos, portanto, que a Igreja deve honrar o povo judeu, rejeitar toda forma de antissemitismo e proclamar que a salvação, tanto para judeus quanto para gentios, encontra-se somente em Jesus Cristo. Esperamos a consumação dos propósitos de Deus para Israel e para todas as nações, confiando na fidelidade daquele que conduz a história para a glória de seu nome (Rm 11.33-⁠36; Ap 7.9-⁠10).

Declaração final

Esta é a fé que a Igreja Família Nuvem confessa.

Reconhecemos as Sagradas Escrituras como nossa autoridade suprema e final, recebemos a fé cristã histórica expressa nos credos da Igreja e confessamos estas convicções como expressão daquilo que entendemos que a Palavra de Deus ensina.

Confessamos que Jesus Cristo é o centro da nossa fé, o Senhor da Igreja e o fundamento da nossa esperança.

Por isso, desejamos permanecer firmes no Evangelho, crescer no conhecimento da Palavra, viver em dependência do Espírito Santo, caminhar em unidade, servir uns aos outros e anunciar Cristo até os confins da terra.

Tudo o que cremos, ensinamos e vivemos existe para a glória de Deus, pela fidelidade de Cristo e no poder do Espírito Santo.

Soli Deo Gloria.